A propósito de uma carta escrita por Ambientalistas, ao Ministro, sobre a venda da Comporta…
Gosto de praia, tanto de Inverno como de Verão. De Inverno, é fácil, embrulhar-me como uma “cebola”, fugir para um pontão ou areia e ficar por ali, até sair enregelada. De Verão, sou pior que as crianças: aí vou eu ! É bem fácil às 07am já lá estar! Cada estação tem as suas particularidades.
Tenho um senão: tenham lá a santa paciência, mas não vou nada “ à bola “ com:
- Praias de Moda e Elitistas, onde encontro a “família Tios e Tias”;
- A última toilette que saíu nas revistas da moda e que todas/os devem usar;
- Local preferido pelas “Ilustres Alminhas Famosas/os”, e claro lá vai meio mundo, para tirar as fotos da prova: Eu fui lá, viste, viste?!
Praias sossegadas, tranquilas, onde não vão falar “estrangeiróide” para dar nas vistas. Essas sim, são a minha “onda”. Sem vigilância, onde tenho que andar por meio de dunas e picos, rebentar os chinelos e depois olha, o caminho inverso logo se vê!
Compreendo perfeitamente que temos que nos modernizar, ver do ponto de vista financeiro o desenvolvimento de algo que ainda nos podemos dar ao luxo de meter uns €s no PIB: O Turismo.
O nosso litoral e o Sol que ainda não nos abandonaram devem ser aproveitados.
Temos, no entanto, que pensar com que objectivo o vamos fazer e não pode ser feito de ânimo leve, caso contrário a história repete-se.
Quando era miúda, fui durante muitos Verões, com a família, para as praias não vigiadas do Sul, Algarve. Não, não sou milionária e evitam de vir com comentários impróprios para menores, sim?! A viatura ficava na estrada algures, e lá íamos nós estilo “cabras”, pelo meio das dunas. Passámos belos dias, em águas límpidas, em areia, sem beatas ou plásticos. Trazíamos o nosso saco com o lixo. Recarregávamos as nossas “baterias” para um ano de trabalho.
Claro, começaram empreendimentos por tudo que é local, moradias, condomínios de luxo ou não, turistas com dólares, e o Sul do Algarve virou “retiro de luxo”. Acabou-se o sossego! “ Ná “ para mim não serve. Não critico quem o faça, mas eu não sou assim! Quero lá saber se a cor do biquini conjuga com a cor do cabelo!
As praias não vigiadas da Comporta ainda são desses locais, tranquilos, calmos, onde posso descansar da rotina diária, sem modernices, luxos ou encontrar a “Tia” porque não quis andar meia hora no meio dos picos. Eu não quero saber de “ostentação” balnear!
Eu quero uma praia. Ponto final.